Exaltada estatura multidimensional do ex-Presidente da República

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O escritor e antigo presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, declarou, este domingo, na Praça da República, não ser “empenho nem leve nem ligeiro”, escrever sobre o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, dada a sua “estatura multidimensional”.
Ao proceder à leitura do elogio fúnebre, durante as exéquias, Roberto de Almeida recordou o processo que conduziu o malogrado Presidente ao exilo, onde integrou a Luta de Libertação Nacional.

Aos Chefes de Estado e de Governo, representantes dos órgãos de soberania, deputados, corpo diplomático, líderes de organizações políticas, entidades eclesiásticas, autoridades tradicionais e população, que testemunharam o funeral de Estado, o também ex-secretário-geral do MPLA lembrou que, aos 37 anos, em 1979, o ex-Presidente da República foi escolhido para dirigir os destinos do país, em substituição do fundador da Nação angolana, Agostinho Neto, tendo demonstrado ser um patriota e militante humilde, com quem o país podia contar sem vacilações. Roberto de Almeida discorreu sobre o percurso académico, político e militar do malogrado, cuja urna, contendo o corpo, já repousa no jazigo edificado na Praça da República.

O político recordou, também, que José Eduardo dos Santos, depois de frequentar o ensino primário e secundário no “histórico” Liceu Salvador Correia, aderiu à clandestinidade em finais de 1958, tendo assumido a liderança do movimento juvenil do MPLA, em Dezembro de 1962, aquando da realização da primeira conferência do partido, em Leopoldville, República do Congo.

O nacionalista contou, ainda, na biografia que o Presidente Emérito do MPLA integrou, no mesmo ano, o Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), e no ano seguinte foi eleito primeiro representante do MPLA em Brazzaville.

O deputado à Assembleia Nacional destaca, no elogio fúnebre, que, em Novembro de 1963, José Eduardo dos Santos beneficiou de uma bolsa de estudos no Instituto de Petróleo e Gás, em Bacu, capital do Azerbaijão, estado membro da ex-União Soviética, tendo obtido a licenciatura em Engenharia de Petróleos.

Por ter figurado duas vezes no quadro de honra, José Eduardo dos Santos frequentou um curso militar de telecomunicações, tendo sido indicado, de 1970 a 1974, para dirigir estes serviços na Segunda Região Político-Militar, em Cabinda, onde permaneceu até à queda do regime colonial português.

Ainda em 1974, o ex-Presidente da República participou na Conferência Inter-Regional de Militantes, na terceira região militar, tendo sido eleito membro do Comité Central e do Bureau Político do MPLA. Em meados de 1975, José Eduardo dos Santos foi nomeado representante do MPLA, em Brazzaville, e em Junho do mesmo ano coordenou o departamento de Relações Exteriores do partido, e, cumulativamente, da Saúde, Educação e Cultura.

Com a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, José Eduardo dos Santos é nomeado ministro das Relações Exteriores, e com a sua “intensa” acção diplomática conseguiu, em Fevereiro de 1976, a admissão de Angola como membro de pleno direito nas Organizações de Unidade Africana (OUA), actual União Africana (UA), e das Nações Unidas (ONU). Em 1976, é nomeado ao cargo de Primeiro Vice-Primeiro-Ministro e, dois anos depois, ministro do Plano.

Ao nível partidário foi, de 1977 a 1979, secretário do Comité Central do MPLA para a Educação, Cultura e Desportos, Reconstrução Nacional e do Desenvolvimento Económico e Planificação.

Depois do falecimento do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, em 1979, o malogrado foi eleito, no mesmo ano, Presidente do MPLA, da República Popular de An-gola e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Três anos depois, abriu o país à economia de mercado e, em 1992, abriu o país ao multipartidarismo, o que permitiu realizar as primeiras Eleições Gerais da história da Nação angolana.

Roberto de Almeida referiu, ainda, ao longo do elogio fúnebre, a entrega do Presidente José Eduardo dos Santos à libertação total da Namíbia e do Zimbabwe, bem como a luta contra o hediondo regime do “apartheid”, na África do Sul, dando “cumprimento integral” das orientações do Presidente Agostinho Neto, segundo a qual “Na Namíbia, Zimbabwe e África do Sul está a continuação da nossa luta”.

Como Presidente da Re-pública e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA), Roberto de Almeida disse que o malogrado liderou todo o processo de preservação da vida e da integridade do território, até à assinatura dos Acordos de Paz em 2002, na província do Moxico, que colocaram fim ao longo conflito armado e consagrou o reencontro da Nação angolana.

Dirigente da FESA destaca a coragem

Em nome da Fundação José Eduardo dos Santos (FESA), o secretário-geral da fundação, João de Deus, destacou o contributo à pacificação do país, salientando que, em 1979, quando foi indicado para assumir o cargo de Presidente da República, Angola vivia a epopeia de uma devastadora guerra civil generalizada.

João de Deus, que procedeu à leitura da mensagem da FESA, de que era patrono José Eduardo dos Santos, salientou o facto da governação do ex-Presidente da República ter sido caracterizada pela promoção da paz, reconciliação entre todos os angolanos, bem como a reconstrução nacional, humanismo, justiça e democracia.

Considerou José Eduardo dos Santos um patriota de transcendente importância, pela sua dimensão política e humanista. “O sentimento em memória de “Zé Dú” manter-se-á em nossos corações”, exteriorizou João de Deus, para quem o ex-Presidente foi actor e protagonista de factos relevantes da história recente do país.

O secretário-geral da FESA enalteceu os feitos como cidadão humanista, filantropo e altruísta. Referiu que José Eduardo dos Santos criou a fundação para promover a entreajuda, solidariedade, amor ao próximo, bem como o acesso da população vulnerável à assistência social, ciente de que o Estado, por si só, não estava em condições de, exclusivamente, fazer face aos inúmeros problemas que o país enfrentava, em consequência da guerra.

Entre os Chefes de Estado convidados, o ex-Presidente da Namíbia, Sam Nujoma, foi o único que tomou a palavra no evento. Ao longo da sua mensagem, Sam Nujoma agradeceu o apoio prestado pelo Presidente José Eduardo dos Santos à luta pela Independência da Namíbia, salientando que com o seu desaparecimento físico não só perdeu Angola, como a África Austral e o mundo.

O grande nacionalista e líder exemplar

Na mensagem da direcção do MPLA, a vice-presidente do partido considerou o ex-Presidente José Eduardo dos Santos como “grande nacionalista e líder exemplar”, que sacrificou toda a juventude em prol do bem-estar dos angolanos.

“José Eduardo dos Santos era um bocado de cada angolano”, referiu Luísa Damião na mensagem, tendo salientado, também, não ser fácil, em poucos minutos, falar da dimensão de um homem com uma trajectória de grande dimensão e do patriota com elevadas qualidades humanas.

Lembrou, a propósito, que o Presidente Emérito do MPLA, nas várias facetas da sua vida, marcou com tinta indelével a qualidade do bem fazer, sem olhar a sacrifícios, dedicando toda a vida para o bem-estar do povo angolano.

O ex-Presidente da República granjeou amizades que soube guardar e proteger durante toda a vida, referiu Luísa Damião, acrescentando que alguns desses colegas e amigos constituíram a “bola impulsionadora”, para que José Eduardo dos Santos integrasse a luta pela autodeterminação e Independência do país.

Luísa Damião considerou o Presidente José Eduardo dos Santos como “diplomata de fino trato e hábil negociador”, que realizou com “brilhantismo” todo o processo que conduziu ao termo da crise fronteiriça com a África do Sul e, concomitantemente, a ascensão da Namíbia e do Zimbabwe à independência.

A dirigente partidária evocou o facto de ter sido sob a condução de José Eduardo dos Santos que foi encontrada a solução que pôs fim à guerra no país, de que lhe valeu o cognome de “Arquitecto da Paz” e assinado o Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação, na província de Cabinda.

À família de José Eduardo dos Santos endereçou os sentimentos de pesar, tendo deixado o compromisso do MPLA em tudo fazer para continuar a cimentar a unidade e coesão no seio do partido.

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